6 de outubro de 2008

Eu estava em paz quando você chegou

E é verdade que eu não vejo graça em ninguém. Esse desfile insensato de pessoas passando pela minha vida, tocando minha boca é puro passatempo. Essa brincadeira descompromissada que aos olhos de muitos não é certa, aos meus não tem nada demais.
Eu vou assim, matando a curiosidade sobre as pessoas que eu quero e tento desviar minha atenção, pois eu sei que você faz exatamente o mesmo, só que por motivos diferentes.
E eu confesso aborrecidamente que eu me guardei pra você. Guardei tudo de melhor e de pior que há em mim. Escondi essa inexperiência com relacionamentos por trás de um sorriso para quem sabe assim eu soar mais interessante. Deixei no ar aquele pico de mistério pra ver se você tenta me descobrir, me delatar.
Acontece que me percebi toda sua. Me embrulhei para presente e eu nem sei se você me quer. Talvez abra e devolva. Talvez eu fique no canto da sua estante. Talvez eu extravie e quem sabe nunca chegue à suas mãos.
Me escondi nessa caixa pra ninguém me achar. Pulei da prateleira por vontade própria e nunca ninguém me pediu isso, nem você. E enquanto tem tanto comprador dando oferta, eu espero você, justamente o único que eu sei que nunca vai vir me buscar. O único que talvez ainda me tenha sob encomenda, mas que por residir distante talvez me convença que o preço dos correios é alto demais para correr o risco da devolução.


[eu estava em paz quando você chegou.]