Elaine Macedo
Reconhece uma rosa em chamas?
É, chama!
Pois se não, é que não sabes.
Se sim, é esta a natureza indócil
que, branda, me desfigura.
Uma rosa em chamas é: tudo, menos de se admitir.
Acalma linda rosa,
tanta pureza não ha de morrer assim!
Alguém que te salve,
e salvará.
Só eu não posso,
pois sou calor, também.
Inflamável, eu venho de baixo.
Há compaixão por ti, então
não tenha medo do meu olhar.
Por trás das cores de meu fogo
estou preservando o meu verde,
que é cor de esperança.
Sim,
de um dia ver-te sorrindo
desde o dia que começastes a queimar.
E que não restem só as cinzas
A
Porque é sublime o teu perfume
Z
"Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida."
28 de outubro de 2008
(1) O que eu sei não coube nas rimas
Elaine Macedo
Hoje a luz deste quarto está azul, não está?
Eu tenho tanta coisa para fazer...
Hoje a manhã me prometia sorrisos.
Hoje o alimento me prometia prazer.
E eu senti uma pluralidade de saudades.
-volta,
isto é,
me deixa voltar-
Hoje só a voz não adianta.
Hoje nem o mar vai me alcançar.
Tanta água que havia na maçã.
Tanto desejo de te encontrar.
Hoje não sei do mal.
Hoje minha paz é mais importante.
Hoje não é vida real.
É porque hoje eu só amo.
Imagem que não é minha....
Hoje a luz deste quarto está azul, não está?
Eu tenho tanta coisa para fazer...
Hoje a manhã me prometia sorrisos.
Hoje o alimento me prometia prazer.
E eu senti uma pluralidade de saudades.
-volta,
isto é,
me deixa voltar-
Hoje só a voz não adianta.
Hoje nem o mar vai me alcançar.
Tanta água que havia na maçã.
Tanto desejo de te encontrar.
Hoje não sei do mal.
Hoje minha paz é mais importante.
Hoje não é vida real.
É porque hoje eu só amo.
Imagem que não é minha....
24 de outubro de 2008
Verdade
Tendo fé
Elaine Macedo
Tudo por que passei.
As coisas que já procurei.
Pessoas amadas
e animais mortos.
Minhas ilusões,
montei o quebra-cabeça.
A luz da verdade aqui diversas vezes
e ainda assim me sinto forte.
É essa que...
...sou-me.
Eu para mim, e eu para os outros,
já dizia algum poeta.
Mas
a gente sente mesmo prazer com o outro?
Ou
é só a vontade de sê-lo?
Mergulhe, não nade.
Espere ser salvo
se quiser morrer.
Um dia eu te amo
no outro te preciso
e já não sou mais eu
- luto contra o que nem sei
porque posso!
Ah vida, me absorva!
Quero fotos felizes
e sorrisos brilhantes
porque só brilha o que é sincero.
Ah amor que emana!
Você é feito de carne e osso?
Como você cabe em mim?
Tudo por que passei.
As coisas que já procurei.
Pessoas amadas
e animais mortos.
Minhas ilusões,
montei o quebra-cabeça.
A luz da verdade aqui diversas vezes
e ainda assim me sinto forte.
É essa que...
...sou-me.
Eu para mim, e eu para os outros,
já dizia algum poeta.
Mas
a gente sente mesmo prazer com o outro?
Ou
é só a vontade de sê-lo?
Mergulhe, não nade.
Espere ser salvo
se quiser morrer.
Um dia eu te amo
no outro te preciso
e já não sou mais eu
- luto contra o que nem sei
porque posso!
Ah vida, me absorva!
Quero fotos felizes
e sorrisos brilhantes
porque só brilha o que é sincero.
Ah amor que emana!
Você é feito de carne e osso?
Como você cabe em mim?
12 de outubro de 2008
Queijo com goiabada
Elaine Macedo
Quando recebi o presente
eu sequer consegui desembrulhar.
Deixei o Tempo passar por aqui,
e então os laços desataram sozinhos.
As coisas não melhoraram muito,
o presente era ainda um problema:
presente muito presente
e eu não sabia o que fazer com ele!
Não cabia,
não combinava,
não estava na moda.
Mas foi caro - só eu sei.
E era lindo - como nenhum outro.
Não desisti do meu presente.
O Tempo fez seus milagres:
peso perdido,
moda mudada,
porque mudou quem era influente.
Ainda mais valioso.
Ainda mais lindo.
O meu presente.
Eu, queijo.
Você, goiabada.
Enfim posso contigo.
E eu te amo,
porque és já uma extensão minha.
Quando recebi o presente
eu sequer consegui desembrulhar.
Deixei o Tempo passar por aqui,
e então os laços desataram sozinhos.
As coisas não melhoraram muito,
o presente era ainda um problema:
presente muito presente
e eu não sabia o que fazer com ele!
Não cabia,
não combinava,
não estava na moda.
Mas foi caro - só eu sei.
E era lindo - como nenhum outro.
Não desisti do meu presente.
O Tempo fez seus milagres:
peso perdido,
moda mudada,
porque mudou quem era influente.
Ainda mais valioso.
Ainda mais lindo.
O meu presente.
Eu, queijo.
Você, goiabada.
Enfim posso contigo.
E eu te amo,
porque és já uma extensão minha.
6 de outubro de 2008
I Want To Be Loved
Bon Jovi
"I'm gonna live
I'm gonna survive
I don't want the world to pass me by
I'm gonna dream
I ain't gonna die
Thinking my life was just a lie
I wanna be loved
I wanna be loved"
♥
I'm gonna survive
I don't want the world to pass me by
I'm gonna dream
I ain't gonna die
Thinking my life was just a lie
I wanna be loved
I wanna be loved"
♥
Eu estava em paz quando você chegou
E é verdade que eu não vejo graça em ninguém. Esse desfile insensato de pessoas passando pela minha vida, tocando minha boca é puro passatempo. Essa brincadeira descompromissada que aos olhos de muitos não é certa, aos meus não tem nada demais.
Eu vou assim, matando a curiosidade sobre as pessoas que eu quero e tento desviar minha atenção, pois eu sei que você faz exatamente o mesmo, só que por motivos diferentes.
E eu confesso aborrecidamente que eu me guardei pra você. Guardei tudo de melhor e de pior que há em mim. Escondi essa inexperiência com relacionamentos por trás de um sorriso para quem sabe assim eu soar mais interessante. Deixei no ar aquele pico de mistério pra ver se você tenta me descobrir, me delatar.
Acontece que me percebi toda sua. Me embrulhei para presente e eu nem sei se você me quer. Talvez abra e devolva. Talvez eu fique no canto da sua estante. Talvez eu extravie e quem sabe nunca chegue à suas mãos.
Me escondi nessa caixa pra ninguém me achar. Pulei da prateleira por vontade própria e nunca ninguém me pediu isso, nem você. E enquanto tem tanto comprador dando oferta, eu espero você, justamente o único que eu sei que nunca vai vir me buscar. O único que talvez ainda me tenha sob encomenda, mas que por residir distante talvez me convença que o preço dos correios é alto demais para correr o risco da devolução.
[eu estava em paz quando você chegou.]
Eu vou assim, matando a curiosidade sobre as pessoas que eu quero e tento desviar minha atenção, pois eu sei que você faz exatamente o mesmo, só que por motivos diferentes.
E eu confesso aborrecidamente que eu me guardei pra você. Guardei tudo de melhor e de pior que há em mim. Escondi essa inexperiência com relacionamentos por trás de um sorriso para quem sabe assim eu soar mais interessante. Deixei no ar aquele pico de mistério pra ver se você tenta me descobrir, me delatar.
Acontece que me percebi toda sua. Me embrulhei para presente e eu nem sei se você me quer. Talvez abra e devolva. Talvez eu fique no canto da sua estante. Talvez eu extravie e quem sabe nunca chegue à suas mãos.
Me escondi nessa caixa pra ninguém me achar. Pulei da prateleira por vontade própria e nunca ninguém me pediu isso, nem você. E enquanto tem tanto comprador dando oferta, eu espero você, justamente o único que eu sei que nunca vai vir me buscar. O único que talvez ainda me tenha sob encomenda, mas que por residir distante talvez me convença que o preço dos correios é alto demais para correr o risco da devolução.
[eu estava em paz quando você chegou.]
5 de outubro de 2008
Oi, meu Baobá!
Para uma avenca partindo
Caio Fernando Abreu
(O OVO APUNHALADO)
"Olha, antes do ônibus partir eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas.
(...)
Deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver nascer uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente.
(...)
Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?"
Caio Fernando Abreu
(O OVO APUNHALADO)
"Olha, antes do ônibus partir eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas.
(...)
Deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver nascer uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente.
(...)
Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?"
2 de outubro de 2008
Eram três meninas lindas
Elaine Macedo
Uma criança é maravilha,
duas fazem a festa,
e se chega a terceira, então!
Como é que pode?
Elas vêm cantando
como se o delas fosse outro mundo,
outro ônibus,
outro caminho para casa.
Que Deus preserve a venda nos olhos daquelas meninas.
Melhor mesmo seus cenários lúdicos
que esta realidade imunda.
Aqui tudo é de Ninguém
e nada pertence a Alguém.
O tempo some,
o corpo muda,
o amor não é de graça.
As expectativas desanimam
e o mundo cobra sua coragem.
Por quê arriscar?
Permaneçam crianças!
...
É, eu sei, um pedido que nunca pode ser atendido.
Mas, por favor Mãe, não puxa a orelha da Taís!!!
Uma criança é maravilha,
duas fazem a festa,
e se chega a terceira, então!
Como é que pode?
Elas vêm cantando
como se o delas fosse outro mundo,
outro ônibus,
outro caminho para casa.
Que Deus preserve a venda nos olhos daquelas meninas.
Melhor mesmo seus cenários lúdicos
que esta realidade imunda.
Aqui tudo é de Ninguém
e nada pertence a Alguém.
O tempo some,
o corpo muda,
o amor não é de graça.
As expectativas desanimam
e o mundo cobra sua coragem.
Por quê arriscar?
Permaneçam crianças!
...
É, eu sei, um pedido que nunca pode ser atendido.
Mas, por favor Mãe, não puxa a orelha da Taís!!!
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