1 de julho de 2008

Escondi de mim o quanto pude

Elaine Macedo

Hoje obriguei-me a escrever um pouco.Na verdade voltar a escrever, porque a muito não me transformava em palavras.

Fiz isto porque estou nescessitada: é preciso soltar o ar preso em mim, como se eu o tivesse prendido num daqueles momentos de expectativa e tensão, por não saber o que vai acontecer, e saber que pode acontecer algo trágico.

Agora há paz. Mas dias atrás eu me sentia realmente num momento destes.
Era como mergulhar em águas profundas sem cilindros de ar, ou algo que me indicasse o caminho de volta. Hoje eu tenho tempo, e posso voltar à superfície para buscar a segurança.

Meu Deus, como me sinto bem escrevendo!
É como se eu soubesse que tudo que já escrevi, um dia chegará a ser lido, e não só isso, compreendido. E pode até não ser logo.
Até ficaria alegre, se qualquer dia, quem sabe, quando eu fosse às compras um de meus filhos abrisse meu guarda-roupas e encontrasse ali tudo que guardo de mais íntimo.
E tudo estará escrito com letra desenhada nas páginas coloridas das minhas agendas/diários, guardadas em caixinhas que eu separo por ano.

E se me perguntam o porquê de guardar tantas coisas, coisas que para alguns são apenas bobagens, como a página do meu livro de Espanhol da 8ª série, só porque 'ele' respondeu o exercício e eu tinha agora sua letra para mim. Esta é a resposta. Porque eu escrevo, porque eu guardo cada pedacinho do passado, guardo as pessoas e a influência delas em mim, para que me conheçam, para que me entendam, que me aceitem, que me vejam - e isto vale para mim também.

Poxa, agora que percebi! Falei de filhos já!
Bem, este é um pensamento que misturou-se a mim ultimamente.

Há aqui dentro um desejo urgente de filhos! Não sei o que houve, não perguntem-me o porquê. Só sei que é pureza e sinceridade. Há amor em mim. Amor de mãe em mim!
Bom, o sexo deixou de ser uma idéia ruim, e tornou-se um fato - ruim também. Enfim, ele entrou na minha vida, e depois disto perdi grande parte de mim.
Então sendo assim, por estar tão perto, por estar no caminho de ter meu filho aqui é que eu o desejo tanto.
Isto aliado ao exagero de amor que eu possuo. E que por não ter filhos, ainda, é que tento dispensar , das mais variadas formas possíveis, a todas as pessoas com quem convivo, um pouquinho deste sentimento tão bonito, na esperança de que alguém, que seja pessoa como eu, que também tenha bons sentimentos, possa me retribuir ao menos com um sorriso, que é a fala mais gostosa da alma.