19 de março de 2010

Volte logo pra casa.

Era mentira. Ela estava de novo esperando sentir. Sente? Sentiu. Algo parecido com dor, mas não era dor, não era nada, era o vazio concentrando-se em sussurrar-lhe ao pé do ouvido o quanto dói o não sentir.
Pede ajuda. Pede ajuda pra quem? Mas pede. Pede errando. Pede sem pedir desculpas, exigindo cuidados. Não sente. E sente muito por isso, mas não pode fazer nada. Ela não tem o controle. Ela saberia contornar tudo se assistisse aquela situação, mas ela não assiste. Ela nem existe ali. Deixou-se ir embora. Tirou férias. Tchau! Quem sabe ela volte pra arrumar a confusão que ficou.
Ela sabe que é estranho as vozes se calarem. É estranho o silêncio. Por pior que seja o barulho, é melhor que aquele inferno silencioso. É melhor que onde ela não quer estar.
Não bastasse a vergonha de sí mesma para sí ainda castiga o Universo inteiro com su a sequência de inconsequências. Pior de tudo é que não se arrepende.
Pior ainda é saber que ela ao tentar se machucar atira pedras para os lados e todos saem feridos, menos ela.
Veste-se de espinhos, cobre-se de ácido, enche-se de álcool e acende um cigarro. Espera o momento em que tudo ganhe vida e se volte contra ela.
Espera não ser julgada, espera que todos parem de sentir. É. Humanos sempre foram a pior parte de estar viva. Até gosta deles, mas ela não os entende e eles não a entendem e ela não sabe se explicar e eles querem o tempo inteiro, o tempo inteiro exigem explicações e motivos e respostas.
Não existem. Desiste. Ela que já nem pensa, mente.

(Mais um texto da comunidade Escritores de Gaveta - Cliquem no título do texto para conhecer o autor)

Abril-morto

Atire, sim, mas atire no meio da testa. Atire naquelas ideias tolas, atire nas discordâncias, atire nos defeitos, atire na honra que ele estampa ali no meio da cabeça. Atire! Atire!
Atire pelo que você acha, mas só se realmente o achar. Atire e tome as consequências. Pague quantos groshes forem necessários, pague sua vida, se for necessário, mas atire. Atire! Atire!
Atire sempre, mas não no coração, vire-o de frente e apoie o fuzil em sua cabeça. Encare-o de frente. Seja valente!
Ame-o, se o amar, e não se prive disso. Chore, se o amar, mas não se prive disso.


(Achei numa comunidade do Orkut - Escritores de gaveta. Me identifiquei e trouxe p/ mostrar-lhes)

16 de março de 2010