17 de abril de 2009

Hoje em dia...

Pablo Neruda

Se morro sobrevive-me com tanta força pura
que despertes a fúria do pálido e do frio,
de Sul a Sul levanta teus olhos indeléveis,
de sol a sol que soe tua boca de guitarra.

Não quero que vacilem teu riso nem teus passos,
não quero que pereça minha herança de alegria,
não chames a meu peito, estou ausente.
Vive em minha ausência como numa casa.

É uma casa tão grande a ausência
que passarás nela através dos muros
e penderás os quadros no ar.

É uma casa tão transparente a ausência
que eu sem vida te verei viver
e se sofres, meu amor, morrerei outra vez.

10 de abril de 2009

Parabéns pra você

Como posso guardar um sentimento assim, tão forte? Três anos se passaram e eu contiuo uma tola: aqui, lutando e te amando.

É certo que mudei os móveis do quarto e troquei os lençóis da cama. Encontrei novos lugares para ir e amigos com quem conversar, mas você permanece em tudo!

Nos cantos do quarto ainda há resquícios de minhas lágrimas, todas as minhas lembranças; meu travesseiro traz o seu perfume; os lugares todos parecem feitos para nós dois e as pessoas insistem em me falar de você...

Que diabos! Olha, ou desaparece de vez ou se me dá por inteiro!!! Tanto tempo numa empopéia e não estamos juntos por quê?

O destino ( se é que ele faz algo por nós) reaproximou nossas vozes. É algum tipo de evidência de que eu sou mesmo sua (?) Bom, o momemto é mais que propício: acabo de ver que, realmente, não quis mais ninguém tanto quanto a você; e acabo de me desligar de outras ilusões para mirar-te de novo, novamente, outra vez...

Falar contigo fez-me louca: um coração que não desacelerava e queria sair-me boca a fora e o pensamento viajando entre passado, presente e futuro numa velocidade tamanha que me cansava o juízo... É, a esperança não morreu...

A Esperança hoje completa três anos.

Para quem está sofrendo de amor

Clotilde Tavares

Somos, pela maneira de perceber o mundo, seres incompletos.
Vivemos buscando desesperadamente a nossa "metade".
Às vezes pensamos ter encontrado e o nosso primeiro desejo é ficar até que a morte separe.
No início da relação com a nossa "outra metade", ali do lado, nos sentimos completos e felizes.
Mas muitas vezes, ele resolve ir embora e lá estamos nós partidos, fragmentados, chorando e cantando como o poeta: "ó pedaço de mim, ó metade arrancada de mim...

Depois de alguns episódios de fracassos ficamos com a impressão de que algo está errado.
Começamos, então, a procurar um relacionamento que não nos deixe tão perdidos ao acabar, porque descobrimos, já não tão surpresos, que sim... Os relacionamentos acabam!!!
É quando percebemos como é difícil conseguir uma relação rica e criativa, inteira, sem dependência.
Aí vem a pergunta: o que os homens procuram nas mulheres e as mulheres procuram nos homens?
Quantas pessoas não se queixam que o casamento não deu certo, que o namoro não deu certo...
Contam que, apesar de terem se dedicado tanto ao outro, de terem amado, cuidado e convivido, de repente a outra pessoa simplesmente deixou de amar.
E se queixam dizendo: "ah, eu investi tanto nessa relação!"
É isso que fazemos.
Investimos nas relações. Investimos como se fosse um negócio.
Agimos como quando colocamos o dinheiro na poupança e esperamos que os juros aumentem para que o investimento cresça!
Damos amor, fidelidade, sexo, companheirismo, cumplicidade e, quando o retorno não vem é o caos! O investimento não teve retorno!
Ora, nos negócios existe o risco.
Pode dar certo ou não.
E quando não dá não adianta culpar o mercado ou o corretor.
Trata-se apenas de juntar o que sobrou e reinvestir novamente em outras condições, ou sair à francesa, retirar-se do mercado por um tempo, pra evitar maiores prejuízos!
O amor, entretanto, não é um mercado.

Amamos para amar ou para ser amados?
Para as duas coisas, você diria...
Mas, na verdade, a gente só pode se responsabilizar pelo nosso sentimento, nunca o do outro.
Mas, já que amamos e estamos sempre procurando um jeito de misturar a nossa vida com a de alguém... O que se diz nesse momento é: siga em frente e seja feliz.
Nunca um adeus dolorido vai ser pior do que um ficar por ficar!