30 de dezembro de 2008

Aquela música que eu sempre gostei....

Elaine Macedo

A música triste é mais triste porque há você, que não está aqui. O sentimento, a expressão, os passos se tornam mais tristes porque outras pessoas também não estão aqui. Pessoas com as quais fiz planos e para as quais entreguei promessas, muitas vezes em vão por muita inocência nossa. Pessoas que estiveram comigo este ano, e no que passou e em muitos dos momentos marcantes de minha vida. Pessoas que sabem quase tudo a meu respeito e ainda assim gostam de mim. Amores e amigos, de longe é que a gente vê como fazem falta...
Este momento está sendo especial,apesar de durar minutos, vejo que o ano que está terminando valeu a pena. Sei disso por causa da saudade. De cada instante vivido guardo uma lembrança calorosa. Sorrisos, lágrimas, ou sorrisos e lágrimas juntos, tive de tudo.
Na verdade eu tenho mais é que agradecer pois neste ano eu fui mais feliz. Ganhei diversas vezes, perdi outras tantas, mas o saldo está positivo para mim. Só Deus... As provas de que foi Ele quem me proporcionou tantas coisas boas são definitivas.
Então, estava agora olhando minha agenda de 2008 e, minha nossa, como passou rápido! Como minha vida mudou! Como deixei riquezas para trás! Fiz pessoas sumirem, sofrerem, esquecerem o quanto é bom viver! Desculpem-me. Foi por olhar só para o meu umbigo, que feio!...Perdão.
Sinto falta de tanto do que ficou para o passado consumir. Daquela família Amorim Pinheiro, que não era minha mas me fazia tão bem, do feijão verde com queijo coalho da Jaíra, a sogra mais atenciosa que já vi, e ser sempre forçada a sorrir, por João, aquele bobo que eu adoro. Saudade de ser recebida por Dona Marina, que eu adotei como avó, e depois ir conversar com Mila, amiga de tantas besteiras vividas juntas, de ir pra Barra do Rio no aniversário dela; saudade de contar tudo pra Leleco e ele fingir que me entende; jogar banco imobiliário, verdade ou consequência e até de pique na rua de Felipe. E a saudade do pessoal da MKM, que me faz lembrar tantos eventos excitantes que participei, tanto trabalho, tanta paciência indo embora, mas no final o reconhecimento vinha; de tia Herta e eu falando mal de tudo e de todos. Saudade de ficar na casa de Fernanda pra jantar de tanto que a gente demorava conversando. De poder abraçar todos os professores e dizer o quanto eu gostava deles. Saudade da minha outra metade da família, que este ano não pude passar muitos dias com eles, comer o macarrão de tia Didi, brincar com Flock e Frida ou conversar com Guilherme sobre seus livros. Sinto saudades na esperança de que tudo isso volte, mesmo que não seja exatamente como antes.
Quando vi que deixei tudo isso para trás me senti sozinha, mas, olhem, eu não estou mais sozinha. Olhem as minhas fotos, eu não estou sozinha. Olhem o meu sorriso frequente, meus novos amigos, meu novo namorado. Eu estou bem, acreditem, eu estou bem.
Ainda mais agora, que parei para escrever, porque isto me faz soltar algumas lágrimas. O que eu carrego é tão pesado, só quem viveu comigo sabe, portanto preciso chorar tantas vezes por ano. Por isso falar de mim é tão difícil. Mas continuo vivendo, buscando novas vias de escape. Me arriscando, sim, mas sei que sou forte justamente por fazê-lo. Se enfrentei tanta coisa antes, posso continuar.
Queria dedicar o final do texto ao amor. Mas desisti, já. Sobre amor não se fala, eu entendi bem antes do dia de hoje. "Quem começa a explicar o amor, a quantificá-lo, já não está amando." Só posso dizer que tê-lo ao meu lado é um dos melhores fatos que me ocorre. Aquele conforto de que falei, meu amor... você só veio para completar.
E agora já estou em tempo de terminar esta baboseira aqui: as lágrimas que vieram com as lembranças já cessaram e a música acabou.
O que eu vou fazer agora? Não sei, eu quase nunca sei. Talvez excluir este texto, nunca fica do jeito que eu quero mesmo. Ou quem sabe deitar e sonhar com um 2009 cheio de boas vibrações!

16 de dezembro de 2008

PRECISA-SE

Clarice Lispector

Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la. Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-se também que venha, implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo. Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar.



P.S. Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilarecerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar.

Respondendo as (trocentas) perguntas de Dona Luíza

Uhum, faculdade sim... Ai, esses olhos... Ele sempre fala se expressando tanto, com essas sombrancelhas lindas se movendo. A boca, rosada e pequena dizendo alguma coisa sobre as aulas finalmente estarem acabando e esse sorriso nas pausas. O olhar denovo.. agora pedindo uma resposta. Um sorriso é sempre a melhor resposta quando não se sabe o que dizer. Repara na camisa dele quando ele respira, repara como ele se aproxima olhando cada parte do meu rosto. Repara o meu cabelo bagunçado refletindo nos seus olhos tão escuros. Os olhos quase fechando, o estômago tremendo e os ouvidos escutando as batidas fortes e compassadas. Afinal, o que adianta meu coração bater se ele não ouvir?
Repara que o amor não acontece todo dia. Repara nesse beijo que me faz sentir tão mais humana e feliz...
Pensando assim, acho que Bush deveria conhecer meu namorado.